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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Treinar animais - Falcoaria!


A falcoaria é a arte de adestrar aves de rapina (águias, falcões, corujas, …), ou seja, treiná-las, ensiná-las e cuidar delas.
A origem da falcoaria, ou cetraria (como por vezes é chamada), perde-se nas origens do Homem, poderá ter surgido no período neolítico, durante a pré-história. Encontram-se registos na Ásia, nos séc. I e II a.C., nomeadamente no Médio Oriente e na China.
Os árabes utilizavam falcões para caçar em sítios inóspitos. Ainda hoje, no Médio Oriente, os falcoeiros levam os seus filhos para o deserto para os ensinarem a lidar com as aves e acima de tudo para os motivar a criar com elas uma ligação.

Mesmo sem registos da arte da falcoaria no Egito, encontramos o falcão como símbolo do deus Hórus, deus dos céus, que mais tarde foi Rei dos Vivos.
Por seu lado os romanos usavam o bufo-real para caçar, ou pelo menos assustar, rapaces diurnas. O próprio César treinava falcões para matar os pombos-correio, e desta forma boicotar a comunicação entre os seus inimigos.
Quando a falcoaria chegou à Europa foi tomada como um desporto dos nobres, e viu a sua “idade de ouro” durante a Idade Média. Só os mais ricos teriam possibilidades de adquirir e treinar aves de rapina e utilizavam-nas nas saídas de caça. O tipo de ave que cada caçador exibisse era símbolo da sua condição social, do seu lugar na hierarquia.
Coruja-das-neves
À medida que iam aperfeiçoando as técnicas e adquirindo mais conhecimentos, houve necessidade de sistematizar esta informação em tratados e documentos, que hoje em dia são mesmo considerados um género literário medieval. Tendo em conta a época, os falcoeiros possuíam conhecimentos avançados sobre as aves de presa, sobre a sua biologia, etologia (ciência que estuda o comportamento animal), e tratamento das suas doenças. Podem até ser considerados os percursores dos ornitólogos atuais.
Existe na cultura mundial numerosas referências à falcoaria, à utilização das aves de rapina e à veneração das mesmas. Foi tendo em conta a herança cultural, a tradição social, o respeito pelas aves e pelo ambiente, a preservação das técnicas e objetos utilizados, que a UNESCO considerou, em 2010, a Falcoaria como Património Imaterial da Humanidade (http://www.unesco.org/culture/ich/en/RL/00442 - em inglês).
Atualmente a Falcoaria continua a ser utilizada como uma técnica de caça, amiga do ambiente, porque se baseia unicamente na relação predador-presa, e de baixo rendimento, porque não provoca abates massivos, nem prejudica o equilibro natural das espécies. Para além disso, revela-se de extrema importância no controlo de pragas, quer nos aeroportos, afugentando outras aves (como pombos ou gaivotas) que poderiam colidir com as aeronaves, quer em aterros sanitários, contribuindo para a saúde pública, quer na proteção de vinhas, pomares, outras culturas agrícolas e aquaculturas. São utilizados em numerosas ações de educação ambiental e até em ações de conservação, pois estas aves nascidas e criadas sob cuidados humanos podem ser reintroduzidas em locais onde se verifica a sua diminuição ou mesmo extinção.
Milhafre-preto
Todas as aves de rapina estão protegidas por lei, e existem regras nacionais e internacionais que regulamentam eficazmente a criação, treino e utilização das aves de falcoaria.
No Jardim Zoológico verás algumas aves treinadas na apresentação do Bosque Encantado. A maior parte delas não são aves de rapina, mas algumas das técnicas utilizadas foram adaptadas da falcoaria, e aqui o objetivo é a sensibilização do público para as ameaças que estas espécies sofrem na natureza. Todas as espécies presentes na apresentação nasceram sob cuidados humanos ou foram retiradas de um cativeiro ilegal (sabias que há pessoas que capturam animais na natureza para ter como animais de estimação?)
Em breve vamos ter novidades sobre a nossa apresentação!

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