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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O BAILE DE MÁSCARAS DO PAVÃO


Era uma vez um pavão, muito fanfarrão, que se lembrou de organizar um gigantesco Baile de Máscaras. O pavão, na sua grande mansão, quis convidar muitos animais engraçados para um concurso de mascarados. Estava convencido que o seu vestido seria o mais belo que alguma vez se vira.
Andava há vários meses a deixar crescer as penas da cauda, magníficas com o seu brilho metálico, estonteantes com os seus ocelos, como se de verdadeiros olhos se tratassem. Queria enfrentar o seu primo, que o destino fadara a ser todo branco. Queria mostrar-lhe que as suas cores viçosas eram mais atrativas que as longas penas brancas que o primo arrastava pelo chão como os vestidos das noivas que tiravam fotografias no seu jardim. Mas a verdade é que a simpatia do primo dava cor à sua brancura e o tornava querido entre os demais.
Para se salvaguardar da concorrência, o pavão fanfarrão teve muito cuidado ao escolher os seus convidados. Estava convencido que era o mais belo, mas não gostava de correr riscos.
A primeira a chegar foi a osga-moura mas ninguém a viu toda a noite, tão bem camuflada estava na ombreira  da porta. Só o besouro-dourado se apercebeu da sua presença e ficou castanho de susto depois de escapar por um triz à sua língua. A zebra trazia um fato de presidiário e vinha acompanhada do mutum-de-capacete convencido de que estaria bem disfarçado de agente da autoridade. A pantera-negra tentou chegar discretamente como um ninja mas tropeçou numa pedra, que afinal era uma tartaruga-mordedora completamente imóvel à entrada da mansão.
O guaxinim de mascarilha ria-se da situação, mas logo se apercebeu que não ganharia o concurso quando viu o panda-vermelho chegar com um disfarce tão parecido com o seu. Os animais foram chegando e entrando, e juntaram-se à festa. O rinoceronte-indiano era um cavaleiro com a sua armadura, o leão com uma juba de estrela pop, a chita de jogador de futebol americano, até a pitão-reticulada enroscada à volta do pescoço de uma girafa não parecia mais do que um cachecol.
O prémio dessa noite poderia ser para o camaleão que chegou singelo no seu tom verde seco mas que a cada passo de dança ganhava uma nova cor ou um padrão diferente. Só não conseguiu imitar o azul metálico do pavão fanfarrão que ganhou o concurso por ser dono da mansão.

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