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sexta-feira, 5 de abril de 2013

A pesca no estuário do Sado e o golfinho-roaz

Os ecossistemas aquáticos podem ser pequenos, como as lagoas, ou vastos, como o oceano. Existem ecossistemas aquáticos continentais (rios, lagos ou lagoas), marinhos e costeiros. Mas já pensaste na zona de transição de um rio para o mar? Nessa zona ocorre uma mistura entre a água doce do rio e a água salgada do oceano. A esta zona de transição chamamos estuário.Um estuário sofre a influência das marés, mas também das descargas de água doce oriundas de terra.
Há várias formas de estuários, determinadas não só pela forma e geologia da costa, mas também pelas características do rio e do oceano que ali se encontram (ex: baías, deltas, rias). Por exemplo, o estuário do rio Douro tem a forma de canal, enquanto que o do rio Tejo é muito mais largo. Existem diversos habitats estuarinos, como os sapais nas zonas temperadas e os mangais nas zonas tropicais.
Os estuários são geralmente regiões com muito alimento, devido aos nutrientes transportados pelas águas que vêm de terra. Assim, várias espécies aquáticas encontram aqui óptimas condições para o seu desenvolvimento e crescimento. Muitos dos peixes e marisco mais apreciados em Portugal, como o linguado, o robalo ou o choco, desovam, alimentam-se ou refugiam-se, quer ocasionalmente, quer quando juvenis, em estuários.
Os estuários têm diversos usos para o Homem, como a pesca comercial e recreativa, o transporte marítimo, o lazer, o turismo. Nem sempre os usos dos estuários pelo Homem são compatíveis com a sua conservação e com a sua continuada utilização no futuro. Alguns dos principais problemas são a poluição dos estuários pela indústria, agricultura e esgotos domésticos e a construção desordenada nas margens dos estuários. Outra fonte de conflito entre os interesses das populações humanas e a conservação dos ecossistemas estuarinos pode ser a competição pelos recursos. Pode existir um interesse do Homem na pesca de espécies que tenham um papel importante na cadeia alimentar do ecossistema e que, por isso, ponham em perigo a conservação de outras espécies delas dependentes.


Autores: Marina Laborde e Rita Gamito (Centro de Oceanografia da Faculdade Ciências da Universidade de Lisboa)

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