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sexta-feira, 10 de maio de 2013

EU E O GORAZ

Conheci o Goraz no Zoo. 
Já estava habituada a ver os pombos a aproveitarem-se da comida dos flamingos-rubros, mas ver por ali aquela ave foi uma surpresa. 
Pescoço encolhido, atarracado, como se se tentasse esconder, mas aqueles olhos vermelhos não passam facilmente despercebidos. 
Durante muito tempo não voltei a ver nenhum. Fiquei a achar que teria sido um indivíduo perdido do grupo, numa pausa extra duma longa migração, até que encontrei outro em Monsanto. 
Aquele penacho branco numa cabeça negra tornava-o inconfundível. Desta vez tinha mesmo de investigar. 
O goraz (Nycticorax nycticorax) tem umas vistosas asas negras que contrastam com o dorso cinzento e o ventre branco. Permanece na Europa durante o verão e migra para África a partir de setembro para passar o inverno. Por cá, nidificam a partir de abril. 
Foi nesta agitação de construção do ninho que voltei a vê-lo novamente, ou melhor, a vê-los. Perdi a conta ao número de gorazes que vi a voar de um lado para o outro, a transportar materiais para os ninhos, ou pousados nas árvores com um piado característico. 
Estas aves, também chamadas de garças-noturnas, têm hábitos crepusculares, são raras e difíceis de observar. Para além disso têm preferência por zonas húmidas e ribeirinhas. Mas este grupo, além de citadino, mostra-se activo em plena luz do dia e perante o olhar de todos os visitantes que a pé ou de teleférico passeiam pelo Jardim Zoológico. 
No meio do frenesim de três ou quatro crias a pedir comida aos progenitores, por vezes acontecem acidentes e alguma pode cair do ninho. Que nos diga a Gracinha, que caiu do ninho e foi criada e recuperada pelos treinadores das aves na esperança que esta pudesse juntar-se à migração da sua família de gorazes. Porém, a Gracinha não quis abandonar a sua nova família de araras, rapinas, guaxinins e tantos outros. 
Vem vê-la, cheia de graciosidade, na apresentação do Bosque Encantado: uma embaixadora das espécies ameaçadas, incluindo dos gorazes que têm um estatuto de conservação vulnerável em Portugal.

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