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sexta-feira, 19 de julho de 2013

Encontro com o tratador dos Ursos-Pardos (Ursus arctos)

Hoje ocorreu o encontro com o Sr. Aires Colaço, tratador dos ursos-pardos. Foi um encontro muito enriquecedor com informações muito pertinentes que partilhamos convosco aqui no Blogue do Zoo.

Quantos ursos-pardos existem no JZ?
São oito os ursos-pardos existentes no Jardim Zoológico. Dentro destes oito ursos temos uma fêmea com duas crias que nem sempre estão na instalação exterior.


Porque razão as crias não estão constantemente na instalação exterior com os restantes ursos?
Inicialmente as crias eram colocadas na instalação exterior apenas com a mãe. Hoje já se encontram em grupo com as restantes fêmeas e daqui a cerca de dois meses, quando forem maiores são juntas com os machos. Isto acontece por uma questão de segurança das crias. A progenitora dá à luz dentro da instalação isolada dos restantes membros do grupo e as crias só vêm para o exterior com quatro meses. Estas quando nascem estão cobertas de sangue, como todas as crias de mamíferos. O cheiro a sangue é atrativo para os restantes ursos e poderia levar a que estes as atacassem. O grupo dos machos é o último a ser junto porque as crias ainda são pequenas. Porém quando daqui a dois meses estiverem maiores já se podem todos reunir sem problema.
                                                                               
Qual o tempo de gestação?
As fêmeas iniciam o cio em abril/maio. Têm um período de gestação de nove meses e depois dão à luz em janeiro/fevereiro.

Qual é o trabalho do tratador?
O trabalho do tratador não se prende apenas com problemáticas a nível de  alimentação, veterinária e limpeza. O tratador tem que estar em constante observação a anomalias que possam ocorrer nas instalações. No caso dos ursos, o tratador tem que cuidar para que árvores do exterior da instalação não cresçam com pernadas para dentro da instalação, o que poderia ser um ponto de fuga para tão exímios trepadores. Também têm que estar com atenção a buracos que estes possam executar, os ursos são animais com muita força e podem abrir buracos em lugares muito duros. Para além disso é importante verificar o bom estado de conservação do que está dentro das instalações, nomeadamente o estado dos vidros que ladeiam a instalação.

Como é que o tratador limpa a instalação?
Para que o tratador possa proceder à limpeza da instalação os animais têm que ser retirados de dentro da mesma para a instalação interior. Após esse processo o tratador tem todo o tempo para limpar a instalação.

 Como se leva os animais para a instalação interior?
Com recurso à alimentação. Os ursos são animais omnívoros, isto é, comem um pouco de tudo. Os tratadores atraem os animais com comida que estes não comam com muita frequência como pêssegos ou maçãs. Funciona como uma pequena guloseima.

Como são levados a cabo os procedimentos veterinários?
Há duas formas de administrar a medicação dos ursos. Pode ser através da ingestão de medicação ou através da injeção da mesma. Se forem comprimidos têm de ser colocados dentro de ¼ de maçã e de seguida é dado ao animal que vai engolir sem sentir o sabor do comprimido. Este procedimento não pode acontecer com uma maçã inteira porque aí o urso iria morder, sentiria o sabor do comprimido e acabaria por rejeitar a medicação.
Em relação à medicação injetável, poderia acontecer com anestesia porém anestesias constantes não seriam saudáveis para o animal. Daí que se utilizem zarabatanas com o medicamento e se faça a injeção à distância.

Que tipo de Enriquecimento Ambiental se faz na instalação dos ursos?
O enriquecimento ambiental é um conjunto de objetos e/ou técnicas aplicados a uma instalação, com o objetivo de levar o animal a executar comportamentos naturais, isto é, comportamentos que este teria no seu estado selvagem.

No enriquecimento alimentar, colocamos papas e frutos dentro de buracos de toros pendurados para que o animal fique durante algum tempo ocupado à procura da comida. Também lhes damos fruta dentro de blocos de gelo para que estes tenham que morder ou lamber o gelo. Estes processos fazem com que os animais demorem algum tempo a alcançar a comida, tempo que também iriam demorar na natureza a caçar.

No enriquecimento sensorial colocamos vários cheiros estranhos aos ursos, dentro das instalações, por exemplo, especiarias. Estes cheiros novos vão levar a que o animal sinta necessidade de marcar o território de forma a que o seu cheiro prevaleça sobre o cheiro intruso. Outro exemplo de enriquecimento sensorial é a cascata existente na instalação. Trata-se de um enriquecimento a nível auditivo devido ao som da água em cascata. A água dessa cascata movimenta-se em circuito fechado, isto é, não há desperdício de água pois é sempre a mesma água que cai da cascata. É bombeada para a parte superior e volta à cascata. Com este movimento consegue criar-se um ambiente mais fresco e a água é oxigenada. A massa de água que compõe a cascata é também um enriquecimento a nível visual.




1 comentário:

Luís disse...

Excelente, parabéns pela entrevista.