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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

AS FABULOSAS CINCO

As fabulosas cinco nasceram no coberto da noite, iluminadas pelos grandes relâmpagos. O esconderijo escolhido pela mãe conseguia mantê-las abrigadas da chuva intensa que se fazia sentir. Contudo este abrigo não conseguiu esconder o seu nascimento - a família tagarela de pavões tratou de espalhar a mensagem por todo o lado.
No seu refúgio ouviam zurros, bramidos e piados... Ouviam a chuva, o vento e as trovoadas... Mas passaram quase dez dias antes de conseguirem abrir os olhos ao mundo.

Riram-se umas das outras por causa do seu aspeto despenteado. Por muito que a carinhosa mãe as lambesse, a sua juba clara havia de ficar sempre espetada como um ouriço.
À medida que iam crescendo, estas fabulosas cinco chitas, tornavam-se cada vez mais corajosas. Saíam do esconderijo durante o dia para brincarem umas com as outras: às “pintas escondidas”, às “patas velozes” ou ao “apanha a cauda”. A única coisa que não podiam fazer era sair do território da Mãe-Chita.
Certa noite, combinaram que iriam sair às escondidas e explorar o que havia para além do seu território, descobrir onde dormiam os outros animais.
Como era muito medroso, o Neco deixou-se ficar bem aconchegado no seu canto, não queria participar nas aventuras dos seus irmãos. Além disso, a Mãe-Chita tinha um sono leve e ia descobri-los de certeza. Quando ouviu as patinhas pequenas agitadas a altas horas da noite percebeu que os seus pequenotes estavam a tramar alguma coisa.
Tentou segui-los mas a meio caminho eles separaram-se e ela ficou confusa.

A Mia foi descendo pelos caminhos. O frio aumentava e ela sentiu necessidade de procurar guarida. Naquele sítio estava tudo muito escuro e muito quente. Quando os seus olhos se habituaram à escuridão estava a um palmo da boca recheada de dentes do aligátor. Correu assustada até chocar contra algo que não sabia explicar o que era. Só soube que do outro lado estavam uns grandes olhos e uma língua a sair e a entrar de uma boca. De um salto escondeu-se atrás da pedra mais próxima... Mas esta mexeu-se!!!
Gritou até chegar à rua e encontrou à sua espera a Mãe-Chita que a levou para casa.

Entrando naquilo que lhe parecera um templo, o Tito tentou caminhar pé ante pé, mas tinha pouco jeito para bailarino e as suas garras a bater no chão, no silêncio da noite, acordaram os chimpanzés que desataram aos gritos numa enorme algazarra.
Tentou fugir mas deu de caras com o gorila, zangado por ter sido interrompido no seu sono.
Não sabia para onde escapar até que o braço longo do orangotango o tirou daquela confusão e o entregou à Mãe-Chita que o levou para casa.

Sem se aperceber do que tinha acontecido com os seus irmãos, a Leca avançava cautelosamente. Ouvira os pavões dizerem que ali viviam tigres. E ela queria vê-los com os seus próprios olhos. Não que ela não gostasse de ser uma chita, mas os tigres eram os reis dos felinos, grandes e majestosos, e muito fortes. Tinha chegado ao sítio que os pavões lhe indicaram e decidiu subir a um sobreiro ali perto para poder observar sem ser observada.
Os dois tigres passeavam juntos, lentamente, paravam, lambiam-se, deitavam-se, caminhavam novamente. “Devem ser namorados!”, exclamou baixinho. Mas a kokaburra ouviu e riu-se do seu comentário. Com o susto caiu ao chão e as araras acordaram num grande alvoroço.
Foi um instante enquanto a Mãe-Chita chegou e a levou para casa.

Enquanto isto, o Jac tinha-se afastado mais do que os outros e estava tão cansado que só lhe apetecia dormir.
O dia já estava a nascer e a Mãe-Chita estava muito preocupada por ainda não ter encontrado a sua cria.
Quando Jac acordou tinha uns quantos pares de olhos espantados à sua volta.
“Quem és tu?”, perguntou o nandu.
“O que te traz?”, perguntou o goraz.
“Porque me olhas assim?”, perguntou o guaxinim.
Chegou o grifo com um ar mal humorado, pegou na chita com as fortes patas, levantou vôo e levou-o para casa.

Com as suas crias todas reunidas novamente, a Mãe-Chita não sabia se as havia de pôr de castigo ou se havia de rir das aventuras que tinham para contar. Afinal eram estas coisas que as tornariam nas fabulosas cinco chitas guerreiras que deveriam ser.


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