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sábado, 5 de outubro de 2013

Quando eu for grande...

Nasci numa aldeia pequena do interior... Pequena e interior aos meus olhos de adulta, porque quando eu era uma criança parecia-me gigante, um mundo inteiro...o meu mundo!
Havia lá poucas crianças, enchíamos apenas uma sala de aulas na escolinha branca, o edifício mais importante da minha aldeia. Aliás, o edifício mais importante do meu mundo.
A minha escola primária!
Claro que brincava com as crianças da minha escola, na hora do recreio, mas fora da escola quem me quisesse encontrar era a pastar as ovelhas, a apanhar bolotas para os porcos ou a ver o crescimento dos girinos na Ribeira Fresca.
Adorava tudo o que tivesse a ver com a Natureza, todos os animais e plantas eram meus amigos, por isso, naturalmente, estudo do meio era a minha disciplina preferida. Mas também gostava muito de contar e ouvir contar histórias, e divertia-me imenso com os problemas de matemática que os meus colegas achavam difíceis. Para mim era um jogo!
Tornei-me uma aluna tão interessada (na verdade, não tinha dificuldades em aprender fosse o que fosse) que dava por mim a ajudar os meus colegas e a ensinar, os velhotes  que frequentavam o café da minha avó, a ler.
Ir para o ciclo foi um grande desafio para mim. O meu pequeno mundo cresceu, teria de ir para a escola da vila. Lá havia muitos mais alunos e professores. E do recreio não vía os meus montes, via casas altas e muitos carros. Tinha saudades da escola da minha aldeia, de ordenhar as vacas e ver os falcões a caçar. Já não me sobrava muito tempo para caminhar pelo campo.
Fui sempre uma aluna dedicada. O meu pai dizia-me: “Tens de estudar para seres alguém na vida”. Eu acedia, mas no fundo pensava: “Eu já sou alguém. Sou a Aurora.”.
Aurora borealis
Foi o meu avô que escolheu o meu nome. Dizia-me muitas vezes que a coisa mais bonita que tinha visto (antes do meu nascimento, claro!) tinha sido uma aurora boreal, quando andava na pesca do bacalhau.
Da escola da vila passei para a escola da cidade. Mas o meu mundo mudou realmente quando deixei a minha aldeia, e todas as maravilhas que esta encerrava, e vim para a universidade na capital.
Não fiz mal, muito pelo contrário, segui o meu sonho, alimentado pelas sábias palavras do meu pai, pelo sorriso compreensivo da minha mãe e pelo apoio incondicional dos meus avós.
Os amigos da minha querida aldeia também vieram estudar para cá. Partilhei casa com alguns deles, cruzava-me esporadicamente com outros na faculdade e com os restantes encontrava-me nos típicos jantares saudosistas do “pessoal lá da terra”.
Completei a minha formação superior com a mesma facilidade com que tinha feito o meu percurso escolar, ansiosa pelo momento em que começaria finalmente a trabalhar.
Programa Educativo ZOO
Na verdade, o meu percurso académico não foi tão simples como apresento. Entrei em Biologia, como já toda a gente esperava. A minha paixão pelo mundo natural esteve sempre presente na minha vida. E segui o percurso científico com afinco até ao seu termo.
Adorei, mas queria mais. Por isso decidi completar a formação de docente para poder ensinar aos alunos todas as deslumbrantes curiosidades científicas que tinha aprendido ao longo da vida.
E para não abandonar a minha veia de cientista participo com os meus alunos em projectos científicos que precisam de voluntários para tratar dados. E é claro que todos os anos levo os meus alunos numa saída de campo aos montes perto da minha aldeia.
Poderia pedir uma vida melhor? Acho que não!

E agora tenho de acabar a conversa porque eles já estão a terminar o teste...

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