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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

O especial Mainá-do-bali


O Mainá-do-bali é uma ave especial. Traz consigo a honra de ser símbolo nacional do Bali, mas também o fardo de ser sinónimo de estatuto social alto na Indonésia e, sobretudo por esta razão, é uma das aves mais ameaçadas de extinção não só na Indonésia, como no Mundo. O Mainá-do-bali está classificado pelo UICN – a União Internacional para a Conservação da Natureza, como Criticamente em Perigo, ou seja a um passo da extinção na Natureza.

Sendo uma espécie endémica, ou seja, que só ocorre naturalmente num determinado país e sendo Bali uma pequena ilha, a sobrevivência desta espécie depende de um frágil equilíbrio. Aliás, atualmente os animais desta espécie encontram-se restritos a duas zonas protegidas, o Parque Nacional de Bali-Barat e o Santuário de Aves de Nusa Penida (um conjunto de 3 pequenas ilhas vizinhas de Bali).

No início da década de 1980, estimava-se a existência de apenas 200 aves em liberdade. Desde essa altura, foram realizados esforços de reintrodução de aves criadas em cativeiro, mas a população total em liberdade nunca conseguiu exceder a contagem de 50 indivíduos verificada no Parque Nacional de Bali-Barat, em 2008.

Tendo em conta a situação social das populações humanas locais indonésias, a sobrevivência do mainá-do-bali na natureza dependente totalmente da sua reprodução fora do habitat e posterior reintrodução. O que implica uma enorme operação conjunta entre parques e zoos com animais da espécie e a criação de condições favoráveis à sua sobrevivência no habitat para que seja possível a sua reintrodução em Bali.

No entanto as medidas de conservação no habitat são indispensáveis para a sua sobrevivência e incluem uma parceria entre a defesa da espécie e as comunidades locais que participam no tráfico e venda ilegal destes animais. Assim, foram estabelecidas estratégias que permitissem “alimentar” o mercado ilegal enquanto se protegem os restantes animais da espécie, contrariando assim um provável aumento da captura ilegal. Foram definidos criadores da espécie dentro da comunidade local que se responsabilizam pela sua reprodução e que se comprometem a libertar 10% das suas crias no Parque Nacional de Bali-Barat e que são penalizados no caso de morte de um reprodutor, altura em que terão que pagar entregando uma das suas vacas. São medidas locais que envolvem a comunidade e que permitem diminui a captura de animais, aumentando o número de Mainás-do-bali na Natureza.

Sendo as medidas locais insuficientes por si só, a comunidade internacional está em franca cooperação para a recuperação da espécie. Sabe-se que existem apenas cerca de 300 destes animais sob cuidados humanos em parques e zoos como o Jardim Zoológico de Lisboa. Estas instituições, seguindo as indicações do coordenador do Programa Europeu de Reprodução da Espécie (EEP), estão a trabalhar em conjunto para que se consiga obter um número aceitável de indivíduos da espécie e, assim que as condições sejam favoráveis no habitat, se possa avançar com a sua reintrodução na ilha de Bali.

A sua beleza ímpar torna-a inconfundível, as penas são quase todas brancas, na cabeça exibe uma longa crista pendente na mesma cor, e para captar a atenção de todos o bico é amarelo e os olhos estão envoltos numa pele nua azul contrastante. Com apenas cerca de 25cm e pouco mais de 100 gramas de peso, o Mainá-do-bali enfrenta com garra este desafio, a luta pela sobrevivência da sua espécie.


A espécie em números
Em 2008, a população estimada no Parque Nacional do Bali-Barat era de 50 indivíduos. Em 2009, em Nusa Penida, onde a espécie foi introduzida registaram-se 65 aves adultas. No entanto, dado que a estimativa de população só deve incluir de indivíduos maduros, a população atual máxima é de apenas 115 indivíduos. Devendo-se assumir cautelosamente um efetivo de indivíduos capazes de reproduzir de cerca de apenas 50 destas aves.

As verdadeiras ameaças atuais
Com a crescente dificuldade na captura, o valor de um mainá-do-bali aumentou e em 1999 um só animal podia ser vendido por $2000 (dólares americanos). As áreas protegidas ficaram sujeitas ao tráfico e o parque chegou mesmo a ser invadido por um grupo armado que capturou 39 aves que se encontravam a aguardar a libertação na Natureza. Atualmente com a população a um nível tão baixo de animais, outros fatores podem tornar-se ameaças como a erosão genética que poderá impossibilitar a obtenção de novas crias saudáveis, enquanto a predação por outros animais e as doenças naturais passam a ser também importantes já que qualquer pequena redução no número de animais é de extrema importância.




O papel do Jardim Zoológico na conservação desta espécie é real. Sem a manutenção destes animais sob cuidados humanos e sem a sua reprodução, pouco faltará para que o mainá-do-bali não resista. Lutamos pela sua sobrevivência porque a extinção, é para sempre.

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