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sexta-feira, 31 de maio de 2013

FELICIDADE DE CRIANÇA

Era uma vez uma criança...
Criança, não! Ela não gostava de ser chamada assim, era uma (quase) adolescente.
Mas hoje que era Dia da Criança, e ela sentia-se triste. Este era o preço a pagar por querer ser crescida, não teria direito a um presente.
Sentia inveja do seu irmão. Já imaginava o grande embrulho que lhe calharia.

Mas desta vez a mãe tinha preparado uma grande surpresa para a família, iriam passar o dia no Jardim Zoológico.
Sorriu até lhe doerem as bochechas, afinal era bom sentir uma criança feliz dentro de si.
Já tinha ouvido dizer que tinham nascido 5 crias de chita e estava ansiosa por poder vê-las. E conseguiu convencer a família a dirigirem-se logo para lá.
Mas o Zoo estava cheio de surpresas à espreita.
E à espreita estava também um pequeno canguru. Viram de relance a sua pequena cabeça, para depressa se esconder na bolsa da mãe.
Esperaram um pouco, calados, semi-escondidos, e o jovem canguru ganhou coragem e saiu cá para fora, mostrando os seus saltinhos desajeitados.
Estava maravilhada, mas as chitas ainda não lhe tinham saído da cabeça.

Continuaram a subida e foram surpreendidos pelos sons dos lémures-de-cauda-anelada. Sentiram-se vigiados pelas crias curiosas,  de olhos grandes e redondos, que os observavam.
O caminho até às chitas era longo, mas a cada passo que davam, alguma coisa os deslumbrava.
Ao chegarem aos orangotangos a Mena ficou preocupada. A fêmea parecia estar dobrada sobre a barriga. Será que tinha dores?
Depois viu algo mexer-se!!!...
Era uma cria! Parecia tão pequena e tão frágil comparada com a mãe. Mas a mãe orangotango pegava-lhe de uma forma tão delicada.
Lembrou-se de uma fotografia sua de bebé, igualmente frágil e com a sua mãe delicadamente a pegar-lhe.
Pela cara da mãe, ela tinha-se lembrado do mesmo.

Quando chegaram às chitas foram presenteados por uma sessão de brincadeiras, tal como faziam os gatinhos nascidos na casa da Mena. As chitas tornavam-se ainda mais engraçadas a brincarem por causa da cauda longa que agitavam como se fosse uma serpente, dando saltos e mexendo agilmente o seu corpo esguio.
Depois de muitas risadas e fotografias estava na hora de começarem a descer. O pai também tinha feito uma pequena exigência, não queria perder a apresentação das aves, que só pelo nome prometia algo mágico - o Bosque Encantado.

Ainda vinham encantados com a apresentação quando se depararam com os ursos... e as suas crias...
Estavam a empurrar-se um ao outro a ver quem cairia primeiro, tal como ela e o irmão costumavam fazer. Da próxima vez que a mãe ralhasse já podia argumentar que os ursos também lutam a brincar e que é importante para o seu crescimento e aprendizagem.
Riu-se sozinha ao imaginar a cara que a mãe faria quando lhe respondesse desta maneira.


Era hora de ir almoçar mas estava certa que a tarde ainda lhe traria muitas agradáveis surpresas.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

A (OUTRA) CRISE NO NOSSO MUNDO


Sou uma coruja e para alguns humanos sou o símbolo da sabedoria. É verdade, viajo pelo mundo inteiro e vou descobrindo muitas coisas por onde passo… mas algumas delas preferia não saber. Já ouviste falar por exemplo da crise? Nada de confusão! Não é a crise que vocês humanos tanto discutem… a crise económica. Esta que falo afeta todos os seres vivos… é a CRISE DA BIODIVERSIDADE.
Coruja-das-neves
Ainda me lembro que há uns anos era fácil encontrar um pouso para dormir. Agora o bosque onde nasci está cada vez mais pequeno, várias vezes vi humanos a cortarem árvores e outros a deixarem lixo que depois provoca incêndios. Começaram também a crescer umas árvores que nunca tinha visto por estas paragens, o sobreiro mais antigo das redondezas é que me avisou que tinham sido plantadas pelo Homem. E aquele ribeiro outrora cheio de vida, onde os anfíbios iam colocar os seus ovos e moravam há vários anos alguns cágados. Nunca mais foi o mesmo desde que umas pessoas colocaram lá umas tartarugas-da-Flórida.
Para além disso lá do alto dos céus a vista já não é tão verde e azul como antigamente. Às vezes até me custa respirar e tento viajar para os poucos lugares naturais que ainda existem. Mas até aí oiço histórias tristes! Há dias, numa floresta, vários casais de araras e catatuas piavam desolados porque tinham raptado os ovos que eles estavam a cuidar com tanto carinho. Um deles contou-me que tinham vindo vários humanos com cestos e rapidamente levaram tudo, dois deles falavam do muito que iam lucrar com o tráfico ilegal daquelas aves. Disseram-me depois que fazem o mesmo com outros animais, como primatas. Como é que vocês homens são capazes de fazer algo assim, até com familiares tão próximos?
Por terras longínquas e geladas do Pólo Norte, uma baleia contou-me que tinha assistido à morte de um urso-polar. Este não aguentou mais, depois de nadar dois dias seguidos em busca de espaço para viver e de alimento. Ela diz que os verãos polares parecem agora durar mais tempo e que nalguns locais os peixes são cada vez menos. Não é a primeira vez que via algo assim, vários amigos seus morreram presos em redes de pesca à deriva ou em derrames de petróleo. Comentou que às vezes até tem medo de nadar, sem saber o que vai encontrar pela frente.
Esta é uma realidade que passa despercebida à maioria de vocês Humanos, mas a CRISE DA BIODIVERSIDADE é gravíssima e afeta-te também a ti. E, porque já dizia o meu avô “de pequenos gestos, surgem grandes mudanças”, que tal dares o teu contributo: poupa os recursos naturais, não compres ilegalmente animais ou objetos feitos a partir deles, ajuda a reflorestar, limpa uma mata ou uma praia, voluntaria-te num centro de recuperação de animais selvagens. Se fizeres a tua parte e alertares os que estão à tua volta vamos ser muitos para superar esta crise. Já agora, lembro-te que no dia 22 de maio celebrou-se o Dia Internacional da Biodiversidade.

QUANDO A FAMÍLIA CRESCE

Tartarugas e outros répteis, não se deparam com uma família aumentada. Na verdade para a sua maioria, de cada vez que se reproduzem, poucos ou nenhuns cuidados oferecem às suas crias. As tartarugas, por exemplo, para além da seleção do local ideal para a postura dos seus ovos, da postura e por vezes da camuflagem do sítio onde os deixaram, nada mais farão pelas suas crias. A sua tarefa é a de as gerar e descobrir um bom local de nascimento! Assim, a família não aumenta em termos concretos, não passam a viver num grupo maior, familiar, continuam o seu percurso solitário.

Espera, espera, agora não!
Leões- marinhos, Cangurus, Koalas e Ursos são calculistas. Antes do nascimento de uma cria, várias condições essenciais são avaliadas, e se não forem favoráveis à sua sobrevivência, o desenvolvimento do embrião pode ser adiado. Chama-se a este processo biológico de diapausa embrionária. Quando a família está a crescer, pode acontecer que o filhote mais novo tenha que esperar até que o mais velho já não seja dependente da mãe.
Cangurus e Koalas são mamíferos marsupiais, ou seja, animais que terminam o seu desenvolvimento já depois do nascimento, dentro da bolsa da progenitora. Por características anatómicas especiais, eles podem num único acasalamento fecundar 2 óvulos e só um deles se desenvolver enquanto o outro fica aderente ao útero da fêmea numa espécie de latência à espera da altura certa para se desenvolver. Um embrião desenvolve-se, nasce, cresce e, quando essa cria já tem alguma independência, o 2º embrião começa a desenvolver-se também. A mãe tem a capacidade de produzir leite com composição diferente para alimentar as suas crias em diferentes estádios de desenvolvimento, ou seja, o leite produzido por cada glândula mamária tem características nutritivas distintas, adequadas à fase de desenvolvimento de cada uma das suas crias. A sabedoria da natureza faz com que a família só cresça, quando as condições são favoráveis.

Aprendo contigo mãe
Nós temos os livros, o pediatra, a mãe, a irmã, a amiga, a vizinha, a Internet, e todos ajudam na medida da sua experiência e conhecimento. E os animais como fazem? O instinto é fundamental, mas a observação de cuidados parentais dentro da sua espécie, pode fazer com que uma fêmea seja melhor mãe. Por exemplo, as pequenas fêmeas de Chimpanzé observam, atentamente as suas progenitoras enquanto cuidam do seu mais novo rebento. As adolescentes, chegam mesmo a imitar as suas mães e tentam cuidar de crias mais novas. Nada como a experiência!

SOMOS PAIS, E AGORA?

Saguim-imperador

Em casal tudo é mais fácil. Pai e mãe coordenam-se para cuidar das suas crias exigentes. Conhece o exemplo do Gibão-de-mãos-brancas? Do Saguim-imperador? Do Mico-leão-dourado? Do Pinguim? Venha conhecê-los ao Jardim Zoológico. Estes animais são exemplos perfeitos de famílias em que os pais, em conjunto, criam os seus filhos e vivem em família.


Mãe solteira
A chita, a mãe urso, e a mãe orangotango, são exemplos de progenitoras “solteiras”. Depois do acasalamento, o macho deixa a fêmea sozinha e quando as suas crias nascem revelam-se mães exímias que enfrentam todas as adversidades para a sobrevivência das suas crias. Estes três exemplos da Natureza e de instinto de mãe podem ser observados no Jardim Zoológico.

Pai solteiro
Casuar
Casuar e Ema são representantes do grupo das ratites, as enormes aves corredoras onde também se insere a Avestruz. Contrariamente ao que acontece na maioria das espécies do mundo animal, neste caso, é o macho progenitor quem incuba os ovos e dá cuidados parentais! Os machos de Casuar são pais dedicados que se ocupam por inteiro das suas crias até aos seus 9 meses de idade, quando já são capazes de se alimentarem sozinhas.


Com a ajuda de todos!
Suricatas, Flamingos e Elefantes fazem jus ao provérbio africano “É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”. Depois do nascimento, as crias de suricata reúnem-se numa creche onde ficam ao cuidado de uma babysitter que é rotativa. Na vida em grupo, as suricatas partilham tarefas de forma rotativa, e por isso a que hoje é uma sentinela, amanhã pode ser babysitter. Já os flamingos, que se reproduzem em colónias, ou seja, os casais têm as suas crias na mesma época do ano, confiam os seus pequenotes com apenas alguns dias de vida, à proteção do grupo e formam verdadeiras creches de pequenos flamingos em que todas as crias são mantidas juntas, sob o olhar atento dos adultos. Cada casal reconhece o seu filhote através de chamamentos. Na sociedade matriarcal dos Elefantes, todas as crias são protegidas e cuidadas por todos os elementos da família, neste caso as suas tias, primas e mãe. Os machos só vivem no grupo familiar enquanto não atingem a maturidade sexual, depois partem para uma vida mais solitária. Com a ajuda de todos, a tarefa de criar um filhote torna-se muitíssimo mais fácil.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

EU E O GORAZ

Conheci o Goraz no Zoo. 
Já estava habituada a ver os pombos a aproveitarem-se da comida dos flamingos-rubros, mas ver por ali aquela ave foi uma surpresa. 
Pescoço encolhido, atarracado, como se se tentasse esconder, mas aqueles olhos vermelhos não passam facilmente despercebidos. 
Durante muito tempo não voltei a ver nenhum. Fiquei a achar que teria sido um indivíduo perdido do grupo, numa pausa extra duma longa migração, até que encontrei outro em Monsanto. 
Aquele penacho branco numa cabeça negra tornava-o inconfundível. Desta vez tinha mesmo de investigar. 
O goraz (Nycticorax nycticorax) tem umas vistosas asas negras que contrastam com o dorso cinzento e o ventre branco. Permanece na Europa durante o verão e migra para África a partir de setembro para passar o inverno. Por cá, nidificam a partir de abril. 
Foi nesta agitação de construção do ninho que voltei a vê-lo novamente, ou melhor, a vê-los. Perdi a conta ao número de gorazes que vi a voar de um lado para o outro, a transportar materiais para os ninhos, ou pousados nas árvores com um piado característico. 
Estas aves, também chamadas de garças-noturnas, têm hábitos crepusculares, são raras e difíceis de observar. Para além disso têm preferência por zonas húmidas e ribeirinhas. Mas este grupo, além de citadino, mostra-se activo em plena luz do dia e perante o olhar de todos os visitantes que a pé ou de teleférico passeiam pelo Jardim Zoológico. 
No meio do frenesim de três ou quatro crias a pedir comida aos progenitores, por vezes acontecem acidentes e alguma pode cair do ninho. Que nos diga a Gracinha, que caiu do ninho e foi criada e recuperada pelos treinadores das aves na esperança que esta pudesse juntar-se à migração da sua família de gorazes. Porém, a Gracinha não quis abandonar a sua nova família de araras, rapinas, guaxinins e tantos outros. 
Vem vê-la, cheia de graciosidade, na apresentação do Bosque Encantado: uma embaixadora das espécies ameaçadas, incluindo dos gorazes que têm um estatuto de conservação vulnerável em Portugal.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

A melhor mãe do Mundo!


Será verdade, estarei a ver uma pequenina mão agarrada ao pelo da orangotango? Um braço apoiado? Uma cabecinha quase careca só com um tufo de pelos, encostada ao peito? É isso mesmo, passaram cerca de 8,5 meses e com 3,5 kg de peso nasceu uma pequena cria de orangotango. Engraçado, tal como acontece com grande parte dos bebés humanos, certo? Os grandes primatas não humanos são animais extraordinariamente semelhantes a nós.
A nossa mais recente cria de orangotango, muito pequena, é ainda transportada, alimentada e cuidada a tempo inteiro pela mãe que se esforça para, em simultâneo, a manter afastada dos olhares curiosos e do toque dos outros animais com quem vivem. Se as fores espreitar ao Templo dos Primatas poderás ter de esperar muito tempo para a conseguires ver. Mas espera, é fabuloso o que vais ver. Ser mãe a tempo inteiro é uma tarefa muito exigente, e num orangotango pode durar até 8 anos! Só perto dessa altura é que as crias de orangotango deixam de depender da mãe e se tornam independentes. A progenitora terá que amamentar a sua cria até ela ter quase 4 anos de idade e a rotina diária já nada simplificada, implica ainda cuidar do ninho, remodelar ou construir um novo, todos os dias. Depois da total dependência da progenitora, aos poucos a cria começará também ela a querer explorar o ambiente em que vive, adquirirá mobilidade e a mãe terá que a acompanhar nas suas travessuras para manter em segurança. Tal como um bebé que começou a gatinhar ou a dar os primeiros passos. Os orangotangos têm a maior infância de todos os grandes primatas.
Aqui no Jardim Zoológico vivem Chimpanzés, Gorilas e Orangotangos que os visitantes observam deliciados, entre a agitação dos chimpanzés, o porte imponente do gorila e a calma dos orangotangos. Todos encontram aqui um espaço óptimo para o seu crescimento e reprodução. E nós podemos observar as semelhanças e as diferenças evidentes entre primatas, humanos ou não.

 Vem conhecer as nossas crias. Desde orangotangos, leões e até pequenos ursos, há muitos pequenotes para ver. E todos devem dizer-te que a deles é a melhor mãe do Mundo. Até já!

A natureza é sábia, nunca ouviu dizer?

Aves, répteis e até mamíferos a construírem um ninho, é uma das atividades mais ecológicas do mundo animal. Depois da escolha apropriada do local, uma toca, uma gruta, uma zona de vegetação alta ou por exemplo um tronco de árvore. 
Ninho de tecelão
Os materiais utilizados são muito variados e vão de penas e pelo da própria mãe para garantir uma caminha fofa, quentinha e confortável para os seus filhotes que irão nascer (não têm mantinhas disponíveis), a pequenos raminhos para sustentação, folhas para a estrutura e camuflagem, e até teias de aranha, argila, e terra para unir os materiais (na loja dos animais não há berços, caminhas de grades ou conjuntos de lençóis à venda). 
Tudo muito bem acondicionado num buraco de um tronco de árvore, sobre um ramo, no solo depois de uma pequena escavação, numa encosta rochosa, numa margem de um rio, ou até na areia de uma praia! Chama-se a isto reutilizar materiais. 
Os animais não precisam de aquecimentos nem ar condicionado para equipar o quarto das suas crias. Utilizam por exemplo o próprio corpo da mãe, como é o caso da Pitão-da-birmânia que, para incubar os seus ovos, estremece o corpo enrolada neles, para assim produzir o calor necessário ao seu desenvolvimento. Os ursos, por exemplo planeiam o nascimento das suas crias para a primavera, evitando que ocorram nascimentos numa época do ano em que teriam que vencer temperaturas muito baixas para além da falta de alimentos para a mãe que assim não teria leite suficiente para amamentar os seus pequenotes. 
Durante a gestação, muitos pares trabalham em conjunto, construindo os ninhos e armazenando. O pai Calau, por exemplo, leva comida à futura mamã que não abandona o ninho enquanto incuba os seus ovos. Os casais de pinguins dispensam ninho e revezam-se, são extremamente habilidosos em passar o seu ovo de um progenitor para o outro quando está na altura de um sair para se alimentar. Já nos mamíferos é mais frequente as fêmeas afastarem-se do grupo e procurarem um local onde ficar até que as suas crias nasçam. Algumas aves voltam em cada época de nidificação ao mesmo ninho onde nasceram os seus filhotes na época anterior! Sem ar condicionado ou aquecedores, sem uma despensa de alimentos para a futura e recém-mamã, sem lojas de puericultura, os animais utilizam os materiais que a Natureza lhes dá! 
Sabia que já existem berços feitos de papelão reciclado para o seu bebé? Sabia que se investir em fraldas reutilizáveis vai evitar a produção de 1 tonelada de resíduos de fraldas por bebé? Sabia que utilizando fraldas reutilizáveis poupa entre 500 a 800€ em fraldas por bebé? Já pensou que pode fazer o enxoval do seu bebé poupando imenso dinheiro e tendo o prazer de ser original, feito à medida e homemade?