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sexta-feira, 26 de julho de 2013

Encontro com a tratadora dos Calitricideos

Hoje foi o encontro com a Srª Maria da Paz, a tratadora dos Calitricideos. No meio da densa vegetação da floresta húmida que caracteriza a instalação dos Calitricideos, fomos encontrar estes pequenos mamíferos de forma a mais saber sobre eles, informação essa que partilhamos convosco aqui no blog do Zoo.

O que são Calitricideos?
São pequenos primatas da América do Sul.

Porque é que são tão pequenos?
Nas florestas há muitos animais à procura de alimento. Os investigadores acreditam que, com a evolução, estes pequenos primatas sofreram uma redução de tamanho de forma a limitar as suas necessidades alimentares.

Qual a sua principal alimentação?
Insectos e seiva das árvores. Devido a esta alimentação específica os calitricideos adaptaram-se, transformando os seus incisivos de forma a conseguirem furar os troncos e recolher a seiva.

Porque tem um cheiro tão forte o interior das instalações?
O cheiro forte é o resultado da marcação territorial. Estes são animais muito territoriais e possuem umas glândulas no peito e nas axilas que segregam uma substância para marcação de território, fenómeno que ocorre com grande frequência. Por esta razão, quando limpam a instalação os tratadores têm que cuidar para que o cheiro deles lá permaneça porque senão os Calitricideos podem não reconhecer aquele como o seu território.

Porque fazem tanto barulho?
São as vocalizações dos Calitricideos, esta é a sua forma de comunicação.

Porque são tão coloridos?
A coloração dos animais tem a ver com a comunicação entre os mesmos. A Floresta Húmida é um sítio cerrado cheio de vegetação. É por isso difícil os animais verem-se uns aos outros. Estas cores diferentes permitem que eles se avistem e consoante a sua cor saibam se esse individuo é ou não da sua espécie para evitar o confronto.

Como vivem os Calitricideos?
Estes vivem em grupos familiares com o pai, a mãe e as crias. Todo o grupo participa no cuidado dos bebés. A mãe amamenta as  crias, o pai transporta-as e os irmão ajudam a tratar das mesmas.
Dentro deste grupo quem acasala com os machos é apenas a fêmea dominante, que dentro do grupo familiar corresponde à mãe. Isto acontece porque essa fêmea tem a capacidade de segregar uma feromona que impede a ovulação das restantes fêmeas.

Os animais podem ser expulsos do grupo?
Apesar de serem grupos familiares pode acontecer que os animais sejam expulsos do seu grupo. Quando isso acontece, os animais são colocados em programas de reprodução. Este programa é coordenado por uma pessoa a nível mundial que tem informação de todos os Calitricideos existentes ao cuidado humano. Esta coordenação dir-nos-á para onde este animal deve ser enviado de forma a permitir que este arranje um novo grupo para ser integrado e assim previne-se também a reprodução consanguínea.

 Como é o Enriquecimento Ambiental dos Calitricideos?
Podemos utilizar troncos com buracos – Faz-se pequenos buracos nuns toros de madeira. No interior desses buracos coloca-se a comida. O animal tem de procurar e utilizar os dedos e a língua para retirar a comida desses buracos.

Utilizamos também caixas com tubos de bambu – Estas caixa são compostas por pequenos tubos de bambu. Dentro desses tubos colocam-se pequenas larvas de escarvelho denominadas tenébrios e os animais tem que colocar os dedos dentro dos troncos para conseguir retirar de lá a comida.


Colocamos também pequenos sacos de serapilheira cheios de aparas e comida para que os animais a tentarem encontrar.


sexta-feira, 19 de julho de 2013

Encontro com o tratador dos Ursos-Pardos (Ursus arctos)

Hoje ocorreu o encontro com o Sr. Aires Colaço, tratador dos ursos-pardos. Foi um encontro muito enriquecedor com informações muito pertinentes que partilhamos convosco aqui no Blogue do Zoo.

Quantos ursos-pardos existem no JZ?
São oito os ursos-pardos existentes no Jardim Zoológico. Dentro destes oito ursos temos uma fêmea com duas crias que nem sempre estão na instalação exterior.


Porque razão as crias não estão constantemente na instalação exterior com os restantes ursos?
Inicialmente as crias eram colocadas na instalação exterior apenas com a mãe. Hoje já se encontram em grupo com as restantes fêmeas e daqui a cerca de dois meses, quando forem maiores são juntas com os machos. Isto acontece por uma questão de segurança das crias. A progenitora dá à luz dentro da instalação isolada dos restantes membros do grupo e as crias só vêm para o exterior com quatro meses. Estas quando nascem estão cobertas de sangue, como todas as crias de mamíferos. O cheiro a sangue é atrativo para os restantes ursos e poderia levar a que estes as atacassem. O grupo dos machos é o último a ser junto porque as crias ainda são pequenas. Porém quando daqui a dois meses estiverem maiores já se podem todos reunir sem problema.
                                                                               
Qual o tempo de gestação?
As fêmeas iniciam o cio em abril/maio. Têm um período de gestação de nove meses e depois dão à luz em janeiro/fevereiro.

Qual é o trabalho do tratador?
O trabalho do tratador não se prende apenas com problemáticas a nível de  alimentação, veterinária e limpeza. O tratador tem que estar em constante observação a anomalias que possam ocorrer nas instalações. No caso dos ursos, o tratador tem que cuidar para que árvores do exterior da instalação não cresçam com pernadas para dentro da instalação, o que poderia ser um ponto de fuga para tão exímios trepadores. Também têm que estar com atenção a buracos que estes possam executar, os ursos são animais com muita força e podem abrir buracos em lugares muito duros. Para além disso é importante verificar o bom estado de conservação do que está dentro das instalações, nomeadamente o estado dos vidros que ladeiam a instalação.

Como é que o tratador limpa a instalação?
Para que o tratador possa proceder à limpeza da instalação os animais têm que ser retirados de dentro da mesma para a instalação interior. Após esse processo o tratador tem todo o tempo para limpar a instalação.

 Como se leva os animais para a instalação interior?
Com recurso à alimentação. Os ursos são animais omnívoros, isto é, comem um pouco de tudo. Os tratadores atraem os animais com comida que estes não comam com muita frequência como pêssegos ou maçãs. Funciona como uma pequena guloseima.

Como são levados a cabo os procedimentos veterinários?
Há duas formas de administrar a medicação dos ursos. Pode ser através da ingestão de medicação ou através da injeção da mesma. Se forem comprimidos têm de ser colocados dentro de ¼ de maçã e de seguida é dado ao animal que vai engolir sem sentir o sabor do comprimido. Este procedimento não pode acontecer com uma maçã inteira porque aí o urso iria morder, sentiria o sabor do comprimido e acabaria por rejeitar a medicação.
Em relação à medicação injetável, poderia acontecer com anestesia porém anestesias constantes não seriam saudáveis para o animal. Daí que se utilizem zarabatanas com o medicamento e se faça a injeção à distância.

Que tipo de Enriquecimento Ambiental se faz na instalação dos ursos?
O enriquecimento ambiental é um conjunto de objetos e/ou técnicas aplicados a uma instalação, com o objetivo de levar o animal a executar comportamentos naturais, isto é, comportamentos que este teria no seu estado selvagem.

No enriquecimento alimentar, colocamos papas e frutos dentro de buracos de toros pendurados para que o animal fique durante algum tempo ocupado à procura da comida. Também lhes damos fruta dentro de blocos de gelo para que estes tenham que morder ou lamber o gelo. Estes processos fazem com que os animais demorem algum tempo a alcançar a comida, tempo que também iriam demorar na natureza a caçar.

No enriquecimento sensorial colocamos vários cheiros estranhos aos ursos, dentro das instalações, por exemplo, especiarias. Estes cheiros novos vão levar a que o animal sinta necessidade de marcar o território de forma a que o seu cheiro prevaleça sobre o cheiro intruso. Outro exemplo de enriquecimento sensorial é a cascata existente na instalação. Trata-se de um enriquecimento a nível auditivo devido ao som da água em cascata. A água dessa cascata movimenta-se em circuito fechado, isto é, não há desperdício de água pois é sempre a mesma água que cai da cascata. É bombeada para a parte superior e volta à cascata. Com este movimento consegue criar-se um ambiente mais fresco e a água é oxigenada. A massa de água que compõe a cascata é também um enriquecimento a nível visual.




sexta-feira, 5 de julho de 2013

Se fores ao Sado lembra-te… Os golfinhos do Sado precisam da tua ajuda.

Sabia que a população de golfinhos do Sado (Golfinho-roaz Tursiops truncatus) é uma das únicas populações estuarinas na Europa? O reduzido efetivo populacional, o envelhecimento da população, e a degradação do seu habitat ameaçam fortemente a sobrevivência desta população tão singular.
 Em 2010 registavam-se apenas 25 indivíduos residentes no Sado. Medidas de ação têm sido levadas a cabo através do “Plano de Ação para a Salvaguarda e Monitorização da População de Roazes do estuário do Sado” em parceria com instituições como o Jardim Zoológico, e algumas crias já nasceram desde então. No entanto, a ação direta da população no rio e praias adjacentes, é determinante para o seu bem-estar e continuidade no estuário.
Por tudo isto, este verão, quando fores à praia, por exemplo à Arrábida, a Troia, à Comporta, ou se fores passear de barco no rio ou atravessar o Sado de Ferry, lembra-te de fazer a diferença e protege os Golfinhos do Sado. Se vires alguém a atirar lixo, a aproximar-se demais ou a alimentar os animais chama-os à atenção, e explica que só os estão a prejudicar. Eles caçam diariamente e asseguram as suas refeições. Em habitat natural, não precisamos de os alimentar, só precisamos de não perturbar e não poluir!

Boas férias!