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terça-feira, 25 de novembro de 2014

Niassa, o maravilhoso “fim do mundo” (PARTE I)

Esta é a primeira parte da entrevista ao Educador do Jardim Zoológico, Miguel Lajas, que passou cerca de um mês na Reserva Nacional do Niassa, em África, a desenvolver alguns projetos. A segunda parte da entrevista será aqui publicada ainda durante esta semana.

Miguel, queres explicar-nos onde foi a tua viagem?
Reserva Nacional do Niassa
Olá a todos os leitores do Blogue! Voltei recentemente de Moçambique, mais precisamente da Reserva Nacional do Niassa. Esta Reserva é a maior área de Conservação de Moçambique e uma das maiores do Mundo, com uma dimensão de 42,000km2 (maior que alguns países, como a Holanda). Para além disto concentra a maior densidade de fauna selvagem em Moçambique num típico ecossistema de savana e é considerada zona “Stronghold” para os leões africanos, ou seja, é uma das poucas zonas onde a espécie tem maiores probabilidades de sobreviver por possuir uma população de mais de 1000 leões.

Qual foi o objetivo da tua viagem até à reserva do Niassa?
Como finalista do Mestrado Integrado em Medicina Veterinária, tinha de escolher um local para o meu Estágio Curricular. Quando surgiu a oportunidade de fazer este estágio na Reserva, com o Niassa Lion Project, não pensei duas vezes e comecei a tratar de tudo. O principal objectivo foi sempre aprender ao máximo com este Projecto de Conservação in-situ, e com todas as pessoas que o constroem diariamente. Durante o período do estágio fomos também colhendo amostras de excrementos de leões, assim como amostras de sangue de leões e de leopardos para depois poder analisar em Lisboa e obter os dados para a minha Dissertação de Mestrado em Doenças Infecciosas e Parasitárias destes animais.

Que tarefas desempenhaste durante a tua estadia?
Manutenção das câmaras-armadilha
Durante a estadia na Reserva a rotina normal incluía acordar por volta das 4h da manhã (com o nascer do Sol) e preparar tudo para sair do acampamento o quanto antes de modo a evitar as horas em que o Sol está mais forte. A maior parte dos dias acompanhei o Euzébio e o Samuel, no seu trabalho de manutenção das câmaras-armadilha que estão estrategicamente colocadas, com o objectivo de obter fotografias dos animais que ali passam, pois são acionadas sempre que detectam movimento. O nosso trabalho era retirar os cartões de memória para descarregar todas as fotos para o computador e ainda trocar as pilhas das câmaras. É uma forma de ter a noção do número de animais e de espécies que podem passar num só local. Quase como abrir uma janela para o Niassa e ver o que se passa na nossa ausência.
Para além disso, nestas deslocações era frequente subirmos algumas montanhas de modo a poder localizar os leões que tinham coleiras-rádio através da antena que emitia sons cada vez mais fortes quanto mais perto nos encontrávamos dos leões.
Em determinadas alturas era comum abandonar o carro para podermos seguir a pé com o objectivo de encontrar os excrementos dos leões que eu depois iria analisar no local e em Portugal.
Localização de Leões
Para além destas tarefas, a minha estadia coincidiu com a realização dos Lion Fun Days na aldeia de Mbamba. Desta forma, enquanto Educador do Jardim Zoológico, acabei por participar na organização dos Lion Fun Days criando máscaras, desenhos e estórias, sempre com o propósito de passar mensagens importantes relacionadas com a Conservação.

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