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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

TAPADA DO LINCE-IBÉRICO

O felino mais ameaçado do mundo, o Lince-ibérico (lynx pardinus)

Gamma e Azahar chegaram ao Jardim Zoológico no mesmo dia, a 2 de dezembro de 2014. À sua espera tinham "aposentos" concebidos de propósito para eles. Na "Tapada do Lince-ibérico" tudo foi pensado para que se sentissem em casa. Estão numa zona mais recatada do Zoo, de modo a usufruírem de uma certa tranquilidade, rodeados por flora mediterrânica, zambujeiros, carvalhos e plantas aromáticas.
À sua disposição têm muitos locais de sombra, múltiplos esconderijos, para se poderem ocultar sempre que desejarem, e plataformas elevadas nos troncos e nas copas das árvores, para treparem e verem o mundo do alto, como gostam.  Cuidados diários, alimentação, hábitos e comportamentos, assim como acompanhamento médico, são assegurados, tudo de acordo com as normas em vigor para esta espécie.

Gamma, o macho, gosta de ficar a deambular no solo. Azahar, a fêmea, prefere as copas das árvores. São exemplo de que a personalidade difere mesmo em animais pertencentes à mesma espécie. Estes Linces-ibéricos são o rosto da espécie que tanta tinta tem feito correr, desde a famosa campanha da Serra da Malcata, dos anos 1970, à atual reintrodução do Lince-ibérico em Mértola.






Para muitos, estes dois exemplares-embaixadores serão o primeiro contacto com esta espécie. E foi precisamente essa a função que o Jardim Zoológico assumiu ao recebê-los: sensibilizar a população portuguesa para a causa do Lince-ibérico, oferecer aos visitantes a possibilidade de conhecer e criar laços emocionais com a espécie. Apenas voltará a existir entre nós, se for aceite e respeitada.

Pretende-se que esta proximidade contribua para reduzir alguns comportamentos que põem a espécie em risco, como a caça ilegal, a alteração de práticas de controlo de outras espécies (que poderão causar danos colaterais, como envenenamentos, por exemplo) e a destruição do habitat, e que promova a aceitação destes animais por parte das populações, uma vez que o plano de reintrodução do Lince-ibérico na Natureza já começou a ser posto em prática. 


Quem são estes dois linces-ibéricos? Como chegaram ao Jardim Zoológico? 


Vieram ambos do Centro Nacional de Reprodução do Lince-ibérico (CNRLI), em Silves, e têm em comum o facto de não estarem aptos para reprodução e de não poderem ser reintroduzidos na Natureza, por questões médicas. Foi por esse motivo que o CNRLI se dispôs a cedê-los, assim, mesmo não conseguindo reproduzir-se, podem começar uma não menos importante missão: a de embaixadores da espécie, o Lince-ibérico.

O Jardim Zoológico «candidatou-se, então, a recebê-los, projetando as novas instalações e custeando totalmente as despesas inerentes à sua vinda», refere José Dias Ferreira, curador dos mamíferos. Como resultado da colaboração entre o Jardim Zoológico, o CNRLI, o ICNF, a Junta de Andaluzia e as autoridades nacionais e espanholas, Azahar e Gamma passeiam-se hoje perto de nós.

Curiosidades sobre o lince-ibérico

















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