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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Alterações climáticas e o Urso-polar– um problema cada vez mais emergente!

As alterações climáticas podem ocorrer de forma natural, devido a processos internos ou forças externas, ou a mudanças antropogénicas persistentes na composição da atmosfera e/ou no uso da terra.
Neste momento, com a subida global das temperaturas do ar e oceano, a subida do nível do mar e a diminuição da cobertura de neve nos pólos, pode-se concluir que estão a acontecer alterações climáticas que estão a causar a extinção das espécies e a destruição dos seus habitats. Quando ouvimos falar em diminuição da cobertura de neve nos pólos dificilmente nos desligamos daquela triste imagem de um urso-polar tentando equilibrar-se num pequeno bloco de gelo. A diminuição das camadas de gelo e o prolongamento do verão têm obrigado esta espécie a procurar alimento em lugares habitados, colocando a espécie em conflito com o homem. Se as mudanças no clima continuarem a acontecer ao ritmo atual estima-se que esta espécie poderá extinguir-se daqui a apenas 75 anos.
O urso-polar (Ursus maritimus) é o maior carnívoro terrestre vivo, os machos adultos podem medir até cerca de 2,6 metros de comprimento. Tem o corpo coberto de pelo com exceção das patas e da ponta do nariz , que deixam revelar a cor escura da sua pele por baixo do pelo completamente branco. O pescoço do urso-polar é maior do que em outras espécies de ursos, e a cabeça alongada tem orelhas pequenas.
Os ursos polares têm membros fortes e enormes patas dianteiras que são utilizadas como remos para a natação. Os seus dedos com garras não retráteis parecem desenhados para andar e cavar na neve. As solas dos patas também têm pequenas saliências que atuam como ventosas permitindo que o grande urso-polar se desloque no gelo sem escorregar.
O urso-polar habita no círculo polar ártico e ainda podemos encontrá-lo no Alasca, Canadá, Groenlândia, Rússia e na Noruega.
Coincidência ou não, ontem dia 27 de fevereiro foi o Dia Internacional do Urso-polar e de 3 a 9 de março será a semana das Alterações Climáticas.
Neste momento, todos temos o poder de contrariar a extinção das espécies e a destruição dos seus habitats. As nossas escolhas diárias refletem-se diretamente na sobrevivência das espécies em todo o mundo. Pequenas atitudes no quotidiano como desligar a ficha da tomada, poupar água, fazer um uso responsável da energia, a escolha dos nossos alimentos, o uso de transportes públicos sempre que possível e a reciclagem, podem fazer toda a diferença. 



sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Nem os darwinistas compreenderam Darwin

No passado dia 12 de Fevereiro, celebrou-se o nascimento de Charles Darwin, um homem que mudou o curso da história, que influenciou o pensamento científico da sua época.
A este britânico, nascido no ano 1809 em Shrewsbury, facilmente associamos o tema evolução. Muitos se lembrarão também de uma das suas obras mais relevantes “A Origem das Espécies por Meio da Selecção Natural”.
Robert Darwin, pai de Charles, escolheu uma carreira médica para o seu filho, mas este pouco se interessava por esta temática, preferindo o estudo da história natural.

Depois de se formar em Cambridge, em 1831, foi convidado a ingressar, como naturalista, no Beagle, um navio da Marinha Real Inglesa comandado por Robert FitzRoy. Mais tarde, em 1839, publicaria o relato da sua viagem, cinco anos a bordo deste navio a percorrer a costa sul americana.
O convite para a viagem no Beagle surgiu no momento certo. Darwin andava a ler o livro de um explorador alemão, Alexander von Humbolt, sobre as suas viagens das Canárias à América do Sul, e desejava fazer o mesmo.
Foi nesta viagem que visitou as Galápagos. Interessou-se o suficiente pelos tentilhões para enviar alguns para o ornitólogo John Gould identificar. Mas não foi nesta altura que se apercebeu das adaptações das várias espécies, dos respectivos bicos e comportamentos, ao habitat onde viviam ou ao seu regime alimentar.
Sobre as aves, o que mais o impressionou nas Galápagos foi a mansidão das mesmas, que pouco temiam o homem e nada sabiam sobre predadores. Dentro do grupo dos répteis não foram as tartarugas-gigantes o alvo da sua admiração, mas as iguanas-marinhas.
Interessado por fenómenos geológicos, especialmente desde que começara a ler os “Princípios de Geologia”, de Charles Lyell, também se deixou impressionar pelos fenómenos de vulcanismo das ilhas.
Darwin voltou desta viagem com importantes contributos para a geologia. Por um lado, assistiu a um terramoto no Chile que fez elevar a costa 60 a 100 cm e mais tarde encontrou fósseis marinhos a 4000 metros de altura nos Andes, o que o fez acreditar que os terramotos poderiam explicar a formação da montanhas. Por outro lado, formulou uma teoria sobre recifes de coral, descrevendo as etapas do processo de formação dos mesmos.
Ao longo da viagem e depois do seu regresso, Darwin compilou inúmeros cadernos com apontamentos sobre biogeografia, taxonomia, embriologia ou paleontologia que se viriam a revelar extremamente importantes, em particular, para a sua obra “A Origem das Espécies”.
Antes da sua publicação em 24 de Novembro de 1859, publicara um sumário de 35 páginas em 1842 e um ensaio de 230 páginas em 1844. Contudo, sabendo que a sua obra poderia causar algum desconforto na comunidade científica e que encontraria muitos opositores, Darwin quis antes de mais afirmar-se como um cientista experiente, um taxonomista respeitado, publicando uma monografia sobre cirrípedes (cracas e percebes), em quatro volumes.
Embora naquela época o conceito de evolução, já explorado por Eramus Darwin (avô de Charles Darwin) ou por Lamarck, ainda não tivesse grande aceitação entre a comunidade científica, foi um dos argumentos mais facilmente aceites após a publicação de “A Origem das Espécies”. Até a relação do homem com os restantes primatas não enfrentou grande contestação.
Houve até criacionistas que defenderam a evolução mas com mecanismos e objectivos completamente distintos dos de Darwin.
O que a comunidade científica não estava preparada para aceitar – mesmo os seus seguidores demonstraram pouca afinidade com os conceitos –, foram as ideias de gradualismo e de selecção natural.
O gradualismo defendia que a evolução ocorreria pela acumulação de pequenas modificações ao longo de várias gerações, mas muitos defendiam o saltacionismo, grandes modificações, possivelmente numa única geração.
No mecanismo de selecção natural de Darwin, essas modificações graduais, locais e não direccionadas, caso tornassem o indivíduo melhor adaptado e lhe conferissem melhor sucesso reprodutivo, seriam transmitidas à sua descendência e gradualmente teriam mais expressão na população.
A selecção natural incluía assim, embora não exclusivamente, a luta pela sobrevivência, que era aceite há muito pela comunidade científica. A expressão, mais tarde usada por Darwin, sobre “a sobrevivência do mais apto” foi referida pelo filósofo Herbert Spencer.
Mas Spencer afirmava que os indivíduos que se esforçavam mais, os que eram mais perfeitos, sobreviviam, enquanto que para Darwin a selecção natural não implicava apenas luta pela sobrevivência, mas um sucesso reprodutivo diferencial, que levaria a transmissão de variações que surgiram de modo aleatório e que não têm obrigatoriamente de conferir uma vantagem adaptativa desse animal.
Foi a falta de desígnio, a ausência de um objectivo final, a inexistência de um plano superior, que tornou a aceitação da selecção natural tão difícil. Com a agravante de que não havia registo de observações de evolução a ocorrer na natureza, por meio de selecção natural.
Mesmo alguns darwinistas, muito mais defensores de Darwin, o cientista, do que da sua teoria completa, que incluía selecção natural, sentiam necessidade de justificar a evolução como a busca pela perfeição, atribuindo um sentido mais espiritual à evolução, do que a vertente totalmente materialista defendida por Darwin.
Mesmo hoje em dia a selecção natural ainda não foi totalmente aceite dentro e fora da comunidade científica.


Fonte: Avelar, Teresa, Margarida Matos e Carla Rego (2004). “Quem tem medo de Charles Darwin”. Relógio d' Água Editores, Lisboa, p.99

E se a evolução criasse uma teia gigante?

Já alguma vez entraste numa casa desabitada há muito tempo?
Desabitada... quer dizer... desabitada por pessoas, porque entretanto outros habitantes tomaram o seu lugar.
E alguns destes novos habitantes aproveitam para mudar a decoração da casa, enchendo-a de cortinas sedosas.
Quando entramos, pegam-se aos cabelos e fazem-nos cócegas na cara, e começamos uma pequena luta para nos livrarmos dos fios das teias de aranha.
Também quando passeamos pela floresta encontramos várias teias. Por vezes nem as vemos, só damos por elas porque se colaram ao nosso corpo.
Mas a teia da aranha-de-darwin (Caerostris darwini) não passa despercebida, pode medir 25 metros – é mais comprida do que dois autocarros juntos!
Esta aranha de Madagáscar é a única capaz de construir teias que vão de uma margem à outra do rio, mas os cientistas ainda não conseguiram descobrir como é que ela o faz. Embora seja fácil perceber, que perante um investimento tão grande ela não desmanche e refaça a teia todos os dias, como outras aranhas de teias redondas (o formato que melhor conhecemos).
Durante os vários dias em que mantém e repara a sua teia, cujo centro pode ter 2,8 metros quadrados de área, a aranha-de-darwin pode caçar inúmeros insectos – até 30 de uma vez.
Apesar da sua capacidade para criar um teia tão grande, os três centímetros de comprimento da aranha-de-darwin (no máximo dois, se for um macho) estão ainda muito longe dos 12 centímetros do corpo da tarântula-golias.
Esta é, não só a maior teia orbicular do mundo, como também o material biológico mais forte encontrado. O seu fio é dez vezes mais resistente do que o fio de Kevlar, usado no fabrico de coletes à prova de bala ou de cintos de segurança. O próprio fio sintético de Kevlar é sete vezes mais resistente que o aço.
Os cientistas acreditam na coevolução das várias características da teia – forma de construção, habitat e resistência mecânica – à medida que a aranha-de-darwin ia ocupando um nicho ecológico diferente das restantes aranhas.

Esta aranha, recebeu o seu nome em homenagem a Charles Darwin, precisamente 150 anos depois da publicação do livro “A Origem das Espécies”, no dia 24 de Novembro de 2009. E nós decidimos apresentar-ta no 205º aniversário do nascimento de Darwin.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Caros Leitores,

Este ano, o Kit do Mar, está a preparar dois grandes eventos no âmbito da literacia dos Oceanos.
O 1º congresso nacional "A ponte entre a escola e a ciência azul" ( para alunos do ensino secundário) que será realizado no dia europeu do mar, 20 de maio, no Instituto Português do Mar e da Atmosfera e o 5º concurso nacional Kit do Mar ( para alunos do pré-escolar ao 3º ciclo), no dia mundial dos Oceanos , 8 de junho, no Jardim Zoológico, para os quais estão desde já convidados.
Estamos a divulgar o concurso e o congresso pelas escolas mas pedimos a vossa preciosa colaboração na divulgação destes dois momentos, pelos vossos canais de comunicação.

Contamos com o vosso apoio!

Agradeço desde já a vossa colaboração!

Alterações climáticas assombram os pinguins

De acordo com as novas descobertas da Universidade de Washington (UW) as alterações climáticas estão a matar as crias de Pinguim-de-magalhães da maior colónia do Mundo, a cerca de meio caminho da costa atlântica da Argentina, em Punta Tombo. Isto acontece não apenas indiretamente - privando-os de alimento, como tem sido repetidamente documentado para estas e outras aves marinhas, mas diretamente como resultado de tempestades e do aumento da temperatura .
As crias de pinguim, num determinado ponto do seu crescimento, ficam demasiado grandes para serem protegidas do frio pelos progenitores e por outro lado ainda não têm penas impermeáveis, o que faz com que uma exposição a chuva torrencial, apesar dos cuidados parentais presentes nesta espécie, possa ser fatal. Também porque  ainda não têm impermeabilização nas penas, não podem mergulhar para arrefecer o corpo como os adultos o que os torna muito vulneráveis a altas temperaturas.
Os novos resultados abrangem 27 anos de dados recolhidos na Argentina sob a direção de Dee Boersma , professora de biologia da UW, (a  autora principal de um artigo sobre esta temática publicado a edição de 29 de janeiro de 2014. 

"É o primeiro estudo, de longo prazo, que mostra que as alterações climáticas têm um impacto significativo sobre a sobrevivência das crias e o sucesso reprodutivo desta espécie", disse Boersma , que liderou o trabalho de campo desde 1983, numa colónia por onde passam 200 mil pares de Pinguim-de-magalhães de setembro a fevereiro, para se reproduzirem. Durante este período, uma média de 65 por cento das crias morreram por ano e cerca de 40 por cento destas mortes, foram por falta de alimento. A alimentação e as variações no clima vão ter cada vez mais impacto à medida que ocorrem as alterações climáticas, disse Boersma.
Tal como os pinguins, existem muitas outras espécies que estão em risco por causa das alterações climáticas que se estão a verificar no Planeta. Estas modificações bruscas no ambiente acontecem, em grande parte, por causa das excessivas emissões de dióxido de carbono e de outros gases que a espécie humana produz. Para minimizar o efeito destas alterações e ajudar espécies a sobreviver, como o Pinguim-de-magalhães, faz a tua parte e Desliga a Ficha!