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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Niassa, o maravilhoso “fim do mundo” (PARTE II)

Esta é a segunta parte da entrevista ao Educador do Jardim Zoológico, Miguel Lajas, que passou cerca de um mês na Reserva Nacional do Niassa, em África, a desenvolver alguns projetos. A primeira parte encontra-se disponível na publicação anterior.

O quão importante é a Educação num local como este?
Lion Fun Days - Mbamba
Os Lion Fun Days são um evento que dura dois dias e que ocorre todos os anos desde 2009 na aldeia de Mbamba. Aqui o valor da educação é incalculável. Numa aldeia em que a grande maioria talvez não saiba ler, quando queremos passar uma mensagem temos de ser criativos e recorrer a todo o tipo de ferramentas educativas para o fazer. O grande potencial deste evento é o facto de trazer alegria e algo de diferente ao dia destas pessoas e envolver a comunidade directamente na Conservação do Niassa. No entanto, os Lion Fun Days são na minha opinião um dos muitos momentos em que a Educação é o foco principal. Numa zona onde pessoas e animais selvagens convivem diariamente, é preciso educar as populações para que esta convivência seja feita da melhor forma e sem danos para nenhum dos lados. O Niassa Lion Project tem também um papel importante aqui, desenvolvendo cartazes e mensagens alertando para os comportamentos de risco que devem ser evitados, como por exemplo, andar sozinho de noite, colocar armadilhas na floresta, dormir ao relento ou não fechar o gado em corrais próprios. A Educação acaba por ser transversal a tudo o que um Projecto de Conservação in-situ faz desde a Educação para a Conservação directa dos animais até à Educação para a saúde das populações. Demonstrar e sensibilizar a população para as consequências que uma determinada acção pode ter, envolve um trabalho educativo insubstituível!

O que retiras a nível pessoal desta experiência?
Niassa
A nível pessoal acima de tudo cresci muito e aprendi ainda mais. Aprendi que não há uma receita nem um livro de regras a seguir quando se pretende fazer Conservação. Temos de adaptar tudo a cada realidade, a cada local e por vezes a cada momento. Devemos tentar aplicar soluções para os problemas que tenham sempre em conta a cultura e crenças locais. Não vale a pena tentar impor soluções, mas antes demonstrar que existem outras formas e esperar que as pessoas queiram voluntariamente fazer parte das mesmas. Não conheço outros Projectos de Conservação in-situ na primeira pessoa, mas a acção utilizada pelo Niassa Lion Project que envolve as comunidades locais e traz valor para as mesmas por via da Conservação, faz-me acreditar que talvez este tipo de abordagem deva ser a primeira coisa a fazer-se quando se pretende preservar locais como a Reserva Nacional do Niassa.


Para saber mais sobre o Projecto Carnívoros do Niassa:


terça-feira, 25 de novembro de 2014

Niassa, o maravilhoso “fim do mundo” (PARTE I)

Esta é a primeira parte da entrevista ao Educador do Jardim Zoológico, Miguel Lajas, que passou cerca de um mês na Reserva Nacional do Niassa, em África, a desenvolver alguns projetos. A segunda parte da entrevista será aqui publicada ainda durante esta semana.

Miguel, queres explicar-nos onde foi a tua viagem?
Reserva Nacional do Niassa
Olá a todos os leitores do Blogue! Voltei recentemente de Moçambique, mais precisamente da Reserva Nacional do Niassa. Esta Reserva é a maior área de Conservação de Moçambique e uma das maiores do Mundo, com uma dimensão de 42,000km2 (maior que alguns países, como a Holanda). Para além disto concentra a maior densidade de fauna selvagem em Moçambique num típico ecossistema de savana e é considerada zona “Stronghold” para os leões africanos, ou seja, é uma das poucas zonas onde a espécie tem maiores probabilidades de sobreviver por possuir uma população de mais de 1000 leões.

Qual foi o objetivo da tua viagem até à reserva do Niassa?
Como finalista do Mestrado Integrado em Medicina Veterinária, tinha de escolher um local para o meu Estágio Curricular. Quando surgiu a oportunidade de fazer este estágio na Reserva, com o Niassa Lion Project, não pensei duas vezes e comecei a tratar de tudo. O principal objectivo foi sempre aprender ao máximo com este Projecto de Conservação in-situ, e com todas as pessoas que o constroem diariamente. Durante o período do estágio fomos também colhendo amostras de excrementos de leões, assim como amostras de sangue de leões e de leopardos para depois poder analisar em Lisboa e obter os dados para a minha Dissertação de Mestrado em Doenças Infecciosas e Parasitárias destes animais.

Que tarefas desempenhaste durante a tua estadia?
Manutenção das câmaras-armadilha
Durante a estadia na Reserva a rotina normal incluía acordar por volta das 4h da manhã (com o nascer do Sol) e preparar tudo para sair do acampamento o quanto antes de modo a evitar as horas em que o Sol está mais forte. A maior parte dos dias acompanhei o Euzébio e o Samuel, no seu trabalho de manutenção das câmaras-armadilha que estão estrategicamente colocadas, com o objectivo de obter fotografias dos animais que ali passam, pois são acionadas sempre que detectam movimento. O nosso trabalho era retirar os cartões de memória para descarregar todas as fotos para o computador e ainda trocar as pilhas das câmaras. É uma forma de ter a noção do número de animais e de espécies que podem passar num só local. Quase como abrir uma janela para o Niassa e ver o que se passa na nossa ausência.
Para além disso, nestas deslocações era frequente subirmos algumas montanhas de modo a poder localizar os leões que tinham coleiras-rádio através da antena que emitia sons cada vez mais fortes quanto mais perto nos encontrávamos dos leões.
Em determinadas alturas era comum abandonar o carro para podermos seguir a pé com o objectivo de encontrar os excrementos dos leões que eu depois iria analisar no local e em Portugal.
Localização de Leões
Para além destas tarefas, a minha estadia coincidiu com a realização dos Lion Fun Days na aldeia de Mbamba. Desta forma, enquanto Educador do Jardim Zoológico, acabei por participar na organização dos Lion Fun Days criando máscaras, desenhos e estórias, sempre com o propósito de passar mensagens importantes relacionadas com a Conservação.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Queres ganhar dias de férias de Natal no Zoo?

Quem conta um conto, ganha um ponto!

Lançamos hoje um novo desafio que contará com duas edições. Cada edição deste desafio cumprida com criatividade dar-lhe-à um ponto. E agora pergunta o leitor o que ganhará com este ponto?

Um Dia Temático no ATL ou nos Ateliers de férias de Natal do Jardim Zoológico! Poderá consultar toda a informação aqui.


Não há limite de idade para concorrer, pode ser o pai, a mãe, a avó, a madrinha, o irmão mais velho qualquer pessoa que queira oferecer este presente a uma criança com idade compreendida entre os 3 e os 16 anos, ou até mesmo a própria criança poderá entrar no desafio.

O primeiro desafio consiste em escrever um conto que envolva qualquer temática relacionada com o Jardim Zoológico, podem escrever sobre animais, plantas, conservação da natureza sempre relacionando com a temática Natal.

O conto vencedor será publicado no dia 10 de dezembro e um novo desafio será lançado, há mais dias temáticos para oferecer! 

Envie o conto para pedagogico@zoo.pt até ao dia 5 de dezembro e esteja atento ao blogue. Não se esqueça de identificar o conto e de referir a idade da criança que beneficiará do prémio. O texto poderá ter até 500 palavras.

Se precisa de inspiração espreite os nossos contos da natureza aqui e venha também dar um passeio ao Jardim Zoológico!

Boa sorte!

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Que frio!

O outono chegou e com ele o tempo frio e chuvoso! Mas também traz consigo algumas delícias como as castanhas assadas cujo aroma já se sente no ar e aquelas coisas boas que quando estamos com frio sabem tão bem como vestir um casaco de lã, beber um chocolate quente à lareira ou dormir enrolados na manta.

Tal como nós os animais também se adaptam ao clima mais frio, há aqueles que dormem mais, os que se tapam como nós com mantas naturais, e até os que se banham em águas quentes para se aquecerem.
Urso-pardo

Há quem se recolha e durma…

O Urso-pardo para manter a temperatura corporal precisa de muito alimento, pois é muito pesado. No inverno, é difícil obter essa energia dos alimentos e por isso entra num estado de letargia (uma espécie de hibernação). Nesta época, até os batimentos cardíacos são reduzidos ao mínimo para poupar energia!
 Nos meses mais frios o Aligátor-do-mississipi não precisa de comer. Normalmente, durante o inverno, hiberna e sobrevive à custa das reservas de gordura que acumula durante o verão. Mesmo a temperaturas negativas, consegue sobreviver, deixando só as narinas fora de água!
 Há quem festeje sempre o aniversário no verão…

A cria do Canguru-de-bennet passa por 30 dias de gestação e 280 dias dentro da bolsa marsupial. Mas, quando as progenitoras acasalam no fim da época reprodutiva só nascem 8 meses depois, na época seguinte. Ficam em latência embrionária por haver pouca disponibilidade de alimento!

Há também aqueles que têm mantas naturais…

O Leopardo-das-neves tem pelo denso e espesso, e cauda muito longa (pode chegar a 1m), que usa para aumentar a temperatura corporal como um cachecol. No focinho curto a cavidade nasal é larga, permitindo que o ar que respira seja aquecido antes de continuar pelas vias respiratórias.

O Camelo vive num local onde as temperaturas variam entre os -29ºC e os 38ºC. No inverno, conta com o seu pelo denso, espesso e comprido para se aquecer. As sobrancelhas são espessas, as pestanas duplas, e conseguem  fechar firmemente as narinas e os lábios! Estas adaptações são uma grande proteção face às tempestades de areia que frequentemente enfrentam.

Bisonte-americano
Macaco-do-japão
O Bisonte-americano ganha uma manta. No inverno cresce uma pelagem espessa e comprida. O comprimento do pelo de um macho adulto chega aos 40 cm na cabeça, 25 cm nos membros anteriores, e 20 cm nos quartos traseiros!

Ainda há os que preferem ir a banhos quentes…

O Macaco-do-japão tem de suportar temperaturas de –15ºC no inverno. Nessa altura, a sua pelagem fica muito densa e forte. Alguns utilizam as águas termais quentes do habitat para manterem a sua temperatura corporal.

Aproveita o sol do S. Martinho para visitar estes e outros animais no Jardim Zoológico!


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

ABC da Natureza

Bioma: Comunidade biológica particular (plantas, animais) que habita numa grande área natural partilhando as mesmas condições climáticas (por exemplo: savana, deserto, tundra, etc).